Técnicas de ajuste de taxa de lotação para otimizar a produção animal em pastagens durante a estação chuvosa.

Como otimizar a produção animal nas águas ajustando o manejo de pastagens?

Veja os cinco passos para ajustar a sua taxa de lotação; faça o download da planilha para cálculo da capacidade de suporte da pastagem.

A estação chuvosa é um dos momentos mais aguardados para quem trabalha com produção animal baseada em pastagens. É o período ideal para realizar a reforma e o estabelecimento das pastagens, além de ajustar o manejo para garantir que os animais aproveitem ao máximo a forragem disponível, aumentando a produtividade da fazenda.

Entre outubro e maio, a região central do Brasil oferece condições ideais para o crescimento das forrageiras, como alta luminosidade, temperaturas adequadas e abundância de chuvas. No entanto, para otimizar a produção animal, é essencial aplicar técnicas adequadas de manejo de pastagens. Muitos produtores ainda cometem o erro de não ajustar a carga animal, levando a baixos investimentos em insumos e tecnologias.

Colheita eficiente: o primeiro passo para a intensificação da produção em pastagens

Antes de pensar em ferramentas como adubação ou irrigação, o passo inicial para intensificar a produção é garantir a colheita eficiente da forragem disponível. A divisão de áreas e o ajuste da carga animal, de acordo com a capacidade de suporte das pastagens, são fundamentais para alcançar produtividade rentável.

O ajuste de carga animal ainda é um desafio para muitos produtores, mas é crucial para equilibrar a oferta de forragem e a demanda dos animais. Problemas como sub-pastejo e super pastejo podem impactar negativamente o desempenho animal, seja pela baixa oferta de forragem ou pela alta quantidade de material com baixa qualidade nutricional.

Conheça o passo a passo para realizar o ajuste da sua taxa de lotação

1º passo: encontrar a altura média do pasto

Como primeiro passo devemos encontrar a altura média do pasto que se encontra no momento de inserir os animais na pastagem. Vale ressaltar que respeitar a altura recomendada para cada cultivar forrageiro em cada momento do pastejo, seja no momento de entrada ou no momento de saída dos animais, ainda se caracteriza como o principal critério a ser seguido. Para obter essa altura média é preciso que faça um levantamento por toda a área que será avaliada, andando em “zig-zag”, em intervalos regulares até que seja obtido entre 40 e 50 pontos para obtenção da média. Apesar de inicialmente ser trabalhoso, com o passar do tempo e à medida que se adquire experiência, será possível “calibrar o olho” para que se faça a escolha de locais representativos da média da altura do pasto.

2º passo: realizar a amostragem da forragem em uma área conhecida

Considerando que a média encontrada foi de 35 cm de altura para o Cultivar Cayana (Brachiaria híbrida cv. Cayana), que apresenta uma recomendação de altura de entrada próxima de 32 cm, o segundo passo será realizar a amostragem da forragem em uma área conhecida. Para isso, será necessário utilizar de uma estrutura quadrada construída de cano PVC ou metálica, com dimensões de 1,0 x 1,0 m (1,0 m²), e realizar a amostragem em 4 pontos que apresentem a altura média, coletando toda a forragem contida dentro dessa área. Se o objetivo for estimar a massa de forragem total, esse corte será realizado rente ao solo; já se preferir estimar a massa de forragem disponível para os animais no extrato pastejável, terá que realizar o corte na altura de resíduo, que no caso para o cultivar Cayana será de 16 cm. Ainda no campo, faça a pesagem de todas as amostras e anote em uma planilha pré-elaborada.

3º passo: determinar a matéria seca (MS) da forragem

Após a coleta das amostras no campo, será necessário determinar a matéria seca (MS) da forragem. Os métodos mais utilizados para essa secagem são: estufa de ventilação forçada, koster, air fryer e micro-ondas. Para determinação na fazenda, os dois últimos são os mais comuns de serem utilizados, porém o método pelo micro-ondas parece ser o mais rápido e fácil, sendo o escolhido para detalhar. Será necessário de uma sub-amostra de 100 gramas acondicionada em um recipiente apropriado para micro-ondas, que será levada ao aparelho configurado em potência máxima. Dentro do micro-ondas é importante sempre que tenha um copo com água para evitar que a forragem se queime. Após realizada as duas primeiras pesagens com intervalos de 3 e 2 minutos, respectivamente, faça as próximas pesagens em intervalos de 1 minuto, até atingir um peso constante, não esquecendo sempre de descontar o peso do recipiente. Como será utilizada uma amostra de 100 gramas inicialmente, o teor de matéria seca será o valor da última leitura, dado em porcentagem. Se, por exemplo, encontrar o valor de 20 g, o teor de MS então será de 20%. Quer saber mais sobre essa metologia? Acesse o estudo da EMBRAPA. 

4º passo: estimar a massa de forragem

Após ter seguido todos os passos anteriores, será possível estimar a massa de forragem, dada em kg de MS por hectare. Assumindo que no 2º passo o corte da forragem tenha sido acima da altura de resíduo, e que o valor obtido da média de todas as amostras foi de 0,750 kg de forragem, e no 3º passo o valor encontrado de MS tenha sido de 20%, então teremos como encontrar a massa de forragem (MF) disponível pela fórmula:

Caso seja realizado o corte da forragem rente ao solo, considere uma eficiência de colheita de 50% da forragem encontrada, na medida que a altura de saída dos animais estará condicionada pela metade da altura de entrada.
Obs: Caso seja realizado o corte da forragem rente ao solo, considere uma eficiência de colheita de 50% da forragem encontrada, na medida que a altura de saída dos animais estará condicionada pela metade da altura de entrada.

5º passo: calcular a capacidade de suporte

Agora que já sabemos a quantidade de forragem disponível por hectare, podemos calcular a taxa de lotação (TL) que suportará a pastagem em um determinado período, ou ainda o período de permanência ou ocupação (PO) de um determinado lote de animais nessa área. Considerando que iremos trabalhar com animais de recria, com peso corporal de 300 kg e assumindo um consumo de MS de 2,2% do peso vivo, então o requerimento de cada animal será de 6,6 kg de MS/dia (300 x 2,2% PV). Porém, devido os bovinos serem animais seletivos durante o pastejo, recomenda-se que seja ofertado entre duas e três vezes a capacidade de consumo, sendo então necessários 19,8 kg de MS/dia (6,6 x 3), ou seja, uma oferta de forragem de 6,6%. Para encontrarmos a taxa de lotação, utilizaremos a fórmula:

Conta matemática

Por se tratar de animais de 300 kg de PV, temos então uma taxa de lotação instantânea de 5,05 UA/ha. Se tivermos, por exemplo, uma área de 10 hectares, teremos que ter um lote de aproximadamente 76 animais pesando 300 kg em média para o consumo da forragem disponível durante os 10 dias. Reparem que utilizamos no exemplo um período de ocupação de 10 dias. Contudo, quando estamos trabalhando com um lote fixo de animais, com quantidade e peso conhecido, podemos também calcular o período de ocupação (PO) que a pastagem suportará esses animais. Suponhamos que o lote tenha 100 animais pesando 300 kg de PV, em uma área de 10 hectares:

Conta matemática

Conclusão

Vale ser ressaltado que todo esse procedimento deverá ser executado em cada piquete do módulo do sistema rotacionado, que normalmente apresenta mais de três piquetes, sendo necessário para o planejamento e possíveis ajustes necessários, como utilizar um lote reserva para auxiliar no pastejo, área extra para compor o módulo de pastejo, ajustar o nível de suplementação dos animais, diferimento da forragem excedente, compra de animais, etc.

Faça sempre o acompanhamento das pastagens e tenha sempre em mãos os números gerais da propriedade, pois assim será possível traçar metas e desafios.  A aplicação de novas tecnologias somente será viável quando os princípios básicos forem entendidos e mais bem aproveitados.

Ferramenta de cálculo da capacidade de suporte

Para facilitar o processo, a Barenbrug do Brasil disponibiliza uma planilha que ajuda os produtores a calcular a capacidade de suporte das pastagens. Essa ferramenta auxilia no planejamento e otimização da produção animal, tornando a gestão da pastagem mais eficiente e rentável.

Faça o download da planilha aqui e siga os passos para ajustar a taxa de lotação e maximizar o uso das suas pastagens.